O inferno do político é ele ficar fora da política

A palavra ‘promessa’ significa que o indivíduo está comprometido em fazer o que prometeu. Como vivemos num país católico é fácil entendermos o compromisso que temos perante o santo ou entidade de nossa simpatia. Quando alguém diz que se apegou ao santo ou entidade sabemos que ele está em apuros e fez uma promessa para induzir o santo a perdoar os pecados. Uma vez perdoado estará em paz com os céus e não terá que pagar sua dívida em vidas futuras.

A promessa feita deve ser paga aqui na terra com andar de joelhos, comprar hóstias – como já fiz – ou deixar o cabelo crescer. Sob essa ótica os santos estão nos céus e nós aqui embaixo suplicando que cuidem de nós.

Nesses tempos de eleições acontece o inverso. Os políticos nos veem como santos, onipotentes, somos o Todo Poderoso, por isso fazem promessas para nos induzir a acreditar neles numa tentativa de darmos a eles o voto de confiança e os livrarmos do inferno, que é ficar sem mandato.

Resta tomarmos consciência que neste momento temos o Poder Divino de castigar, perdoar ou votar. Os candidatos estão de joelhos aos nossos pés suplicando:

- Vote em mim. Prometo cuidar da educação, segurança e saúde de qualidade para sua família. Afinal, sou uma pessoa boa, trabalhei duro para chegar até aqui, sou honesto. Sou pai ou mãe de família que ama esta cidade.

Quando subimos ao céu os anjos leem nossa ficha para saber se podemos entrar ou descer ao inferno. No caso do político, vamos pegar a ficha dele na internet para vermos qual destino ele merece. O dia da eleição é o Dia do Juízo Final para o político. Enquanto a internet é o inferno para os políticos desonestos, Brasília é céu para os eleitos.

Já que somos onipotentes, quais oferendas, sacrifícios ou presentes vamos exigir desses políticos para perdoarmos seus pecados? Qual preço seu candidato está disposto a pagar para merecer seu voto, sua confiança?

Nas eleições anteriores esses políticos já nos consideravam deuses, prometeram e acreditamos neles. Prometeram cuidar da nossa cidade, do nosso estado, do país e não serem corruptos. Eles se comprometeram por livre e espontânea vontade... não os obrigamos. Muitos deles caíram em tentação. Nas eleições de agora, vamos pegar a ficha deles e ler:

- Reles mortal, na eleição anterior você prometeu e não cumpriu. Por que devo acreditar novamente em você?

Se não fizermos essa pergunta e voltarmos a votar em quem nos enganou estamos deixando de escolher em alguém justo, honesto, sem máculas. Por que acreditar num corrupto conhecido e ignorarmos o honesto desconhecido?

Enquanto onipotentes temos o poder da absolvição. Agindo como educadores e sábios punimos nossas criaturas na esperança de educá-las. Quando castigamos nossas criaturas o fazemos na esperança de eles se redimirem e se tornarem indivíduos melhores, iluminados e não voltarem a cair em tentações pecaminosas.

Então que tal refletirmos se os implicados em corrupção realmente merecem nossos votos? Se os castigarmos agora, estamos dando oportunidade de eles se corrigirem no futuro.

Vamos analisar a ficha desses candidatos com bastante cuidado. Se não perdoarmos os pecados deles, se não votarmos neles, eles não podem fazer nada contra nós, pois somos onipotentes. Quando os santos não atendem aos nossos pedidos não podemos fazer nada contra eles. São tão onipotentes que ficam lá no céu tranquilos tomando chá, ouvindo harpas, na maior paz.

No dia da eleição não esqueçamos que o inferno do político é ele ficar fora da política.

 

                                                                                                                                                                       

                                                                                                                                                                              Colaboração Jacson Queiroz e Thaís Oliveira

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