Acabei de ler um livro maravilhoso e gostaria de compartilhar esta experiência com vocês. Chama-se “Não há silêncio que não termine”, de autoria da ex-deputada e ex-senadora colombiana, Ingrid Bettancourt. Nesse livro ela relata seu seqüestro e cativeiro na selva amazônica nos quase sete anos em que ficou prisioneira das FARCs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Numa narrativa dinâmica e real ela conta com riqueza de detalhes as tentativas de fugas, as humilhações impostas pelos guerrilheiros, as desavenças entre os próprios prisioneiros que buscavam a simpatia dos seqüestradores em favor de alguns privilégios como não ser acorrentados, maior quantidade de comida, ficar mais tempo no banho etc.
Enquanto ela esteve prisioneira, aqui no Brasil tentamos fugir dos assaltos, nos submetemos às humilhações dos seqüestradores relâmpagos, acorrentamos nossa casa e nosso carro para não serem furtados e nos indignamos com os privilégios dos parlamentares em aumentar seus salários em mais de 60% de uma só vez.
Confesso que me apaixonei pela história desta mulher. As histórias de superação sempre nos emocionam, sobretudo se somos contemporâneos aos fatos e as acompanhamos.
Nas conversas da autora com os seqüestradores eles revelaram que tinham poucos anos de estudos e foram parar nas FARCs em busca de salários que são depositados nas contas de suas famílias. Esse dinheiro vem do narcotráfico. Deduzimos que não estão ali por ideologia. Buscam salários e melhores condições de vida.
Enquanto isso no Brasil, a polícia e as Forças Armadas invadiam o morro do Alemão no Rio de Janeiro.
Tal qual os farquianos, os traficantes do morro do Alemão, e dos Alemães Brasil afora, são todos carentes de educação e trabalho.
Num pequeno exercício podemos inferir que os usuários de droga brasileiros - ricos ou pobres, famosos ou anônimos, são financiadores direto das FARCs e ajudam confinar homens e mulheres nos cativeiros na selva amazônica ou nas cidades brasileiras.
Não tem plena liberdade quem mora num condomínio fechado para se proteger dos ladrões, coloca películas escuras no carro para despistar os assaltantes nem quem espreita as circunstâncias do estacionamento antes de parar ou entrar em seu carro. Os bandidos brasileiros mantêm-nos num cativeiro onde temos a falsa sensação de sermos donos dos nossos passos e da nossa vontade.
Num grau moderado de prisão, mas com o mesmo grau de medo e insegurança que os seqüestrados pelas FARCs, podemos afirmar que somos todos reféns. Estima-se que as FARCs tem 200 pessoas em seu poder. Nossos bandidos e traficantes tem 190 milhões.
“Não há silêncio que não termine” é uma lição de vida. Mostra-nos o valor das pequenas coisas que não valorizamos quando estamos no conforto de nossa família ou na companhia dos amigos. Várias passagens do livro me emocionaram. Uma especialmente quando, num dos raros momentos de diversão oferecidos pelas FARCs, Ingrid Betancourt recebe um DVD do filme “Como água para chocolate”. Ela relata que anos antes sua mãe a convidou para irem ao cinema ver esse filme, mas ela (Ingrid) recusou o convite para atender compromissos políticos. Lá no cativeiro ela sofreu bastante ao se lembrar deste fato e prometeu que se saísse com vida cozinharia mais vezes para os amigos e não recusaria os convites das pessoas queridas.
Depois de ler o livro procurei mais informações sobre a autora. Achei na internet uma entrevista dela no Programa do JÔ, no dia 03/11/2010, para lançamento do livro. Nessa entrevista ela cita os nomes de alguns companheiros que ainda estão no cativeiro. Afirma que fala os nomes deles porque acredita nos poderes da palavra. Ao mencioná-los, tem certeza que sua voz chegará até eles e os confortará.*
A ex-senadora Ingrid Betancourt foi libertada numa ação cinematográfica e pôde escrever o livro. Quanto a nós, quando seremos verdadeiramente libertados e poderemos dizer? “Não há silêncio que não termine”.


*Entrevista com Jô Soares (http://www.youtube.com/watch?v=JbnRn0IYbsw)

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