Hoje é dia da posse de 54 novos senadores e senadoras. É um dia de festa.
Neste momento a preocupação dos eleitores é que cada senador ou senadora cumpra as promessas de campanha. Todos já juraram perante à Constituição Federal zelar pelo mandato ao longo dos próximos oito anos.
Pela primeira vez soou-me estranho não haver no juramento as palavras ‘honra’ e ‘dignidade’. O juramento atual é assim: “Prometo guardar a Constituição Federal e as leis do País, desempenhar fiel e lealmente o mandado de Senador que o povo me conferiu e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.
Quando se apresenta ao eleitor o político se diz digno do voto. Não jura explicitamente, mas suas promessas, embaladas numa miscelânea de palavras previamente escolhidas, têm o poder de levar o eleitor a imaginar que o candidato ‘jurou’, quando apenas ‘prometeu’.
O vocábulo ‘Prometo’ não traz a mesma força de ‘Juro’. Quando o político está em campanha ele ‘promete’ um montão de coisas. Tentando salvar a própria pele alguns mudam radicalmente de opinião ao longo do mandato. Se ‘jurassem’, as atitudes e decisões certamente seriam diferentes.
O vocábulo ‘fiel’ parece trazer em seu bojo o compromisso com a honra e a dignidade. Não as traz. Como se trata de mandato eletivo, conquistado graças à vontade do povo, nada mais correto enfatizar o compromisso com ‘honra’ e ‘dignidade’. Honrar a quem? Ao país, aos eleitores. Dignidade com quem? Consigo mesmo, com familiares e eleitores.
Só com dignidade o parlamentar pode cumprir o mandato e galgar a reeleição, interesse maior do homem público.
Durante o mandato a honra e a dgnididade caminham juntas, lado a lado, entreolhando-se e com trajetória individual.
Quando o político atravessa o caminho do eleitor jurando defendê-lo e e desvia-se do trajeto, eles negam-se a acompanhar os novos ditames e fica o político a vagar sem rumo e sem brilho próprio por estes corredores do Senado.
A honra e a dignidade são o sol para o político. Os flashes das câmeras de televisão, o oxigênio.
Embora em caminhos próprios e independentes, a honra e a dignidade não se afastam ao ponto de perderem-se no caminho. Quando elas se perdem, o político rapidamente acha o caminho de casa.
O político que quer achar o caminho do sucesso na política tem que manter em boas condições de trafegabilidade a estrada que percorrem a honra e a dignidade.
Quando a honra e a dignidade caminham juntas o resultado é a reeleição e o sucesso profissional do político.