Caras leitoras e leitores, quero compartilhar com vocês uma experiência por que passei e pensava que seria o fim do mundo. Passei quinze dias de férias em casa.

Eu que sempre procurei ficar longe de casa nas férias, desta vez tive que aceitar a decisão da família. Foi uma decisão que no início perturbou-me severamente. Sem saída, tratei de me adaptar a situação. A capacidade de adaptação e o sorriso são o que tem garantido a sobrevivência do ser humano.
Lá pelo terceiro dia vi-me sozinho sem colegas e parentalha. Cada integrante da casa estava ocupado com seus afazeres. Trabalho, estudos, namorados, amigos e não tinha espaço para mim no mundo da família. Eu fui ficando cada vez mais comigo mesmo. Bom sinal. Significa que os filhos estão tomando rumo próprio.
Foi então que decidi também aceitar-me porque senão eu seria um chato clamando por companhia. A primeira coisa em que pensei foi assistir Sessão da Tarde, da Rede Globo. Eu sempre desejei depois do almoço, deitar no sofá e assistir descompromissadamente (que palavrão!) aqueles filminhos doces e ingênuos. Desisti no primeiro. É muito açúcar para meu paladar. Então fui às Lojas Americanas e comprei uns filmes que sempre ouvira falar mas não os tinha visto. Neste caso o desafio seria assisti sozinho a um filme no DVD. Pois suportei o impossível. Assisti e recomendo: Casablanca, com Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henre; Carne Trêmula, de Almodóvar; Amor Sem Fronteiras, com Angelina Jolie e Clive Owen; Daniel Boone; Caminhos Ásperos, com John Wayne; O Livro de Cabeceiras, com Vivian Wu, Ken Ogata e Ewan McGregor.
Aprendi a fazer Sudoku – uma delícia! Li os livros O Idiota, de Dostoievski e A Fotografia – as formas, os objetos e o homem, de Antonio Arcari.
Desliguei meu celular (experiência que farei com mais frequência), fiz caminhadas no parque da cidade, cumprimentei todos os colegas que faziam aniversário no facebook e contemplei o pôr-do-sol em plena quarta-feira no Cruzeiro perto do monumento a JK.
A grande lição que tirei é que estamos cada vez mais sozinhos. Quando criança, estamos rodeados por mãe, tias, avós. Adolescentes, pelos amigos. Aos 20 anos, cercam-nos os colegas do trabalho, da faculdade. Como beiro os 50, todas essas pessoas estão ocupadas, algumas já falecidas. Restam os filhos com suas famílias nos fins de semana, alguns amigos mais próximos que ligam vez ou outra... E só.
Voltei das férias de alma mais leve com esses filmes e estou mais sociável internetemente. Como essa mudança de hábito trouxe-me enorme prazer, tranquei-me no quarto e a escrevi... Sozinho.