Na passeata do dia 7 de setembro de 2011 aconteceu um fato histórico em Brasília. Simultaneamente trinta mil pessoas realizavam a “Marcha Contra a Corrupção”. Inspirados na Primavera Árabe que convocou o povo pela internet e derrubou ditadores há décadas no poder, pela primeira vez os brasileiros reuniam-se numa convocação feita através do Facebook. No dia 12 de outubro haverá outra. Sobre esta nova modalidade de convocação discutiremos em outra ocasião. Neste momento quero questionar “contra qual corrupção estamos marchando?”

A corrupção que permite dirigir bêbado e atropelar e matar um inocente? Ou aceitarmos uma escola aos frangalhos ao lado de uma linda agência do Banco do Brasil? Um aeroporto impecável na mesma cidade de um hospital sem a menor condição de atender os doentes? Não seriam corruptos os ministros do Supremo Tribunal Federal que não julgam os políticos enrolados com a Justiça? Não seríamos corruptos ao aceitarmos uma criança fora da escola pedindo esmolas pelas ruas enquanto o país gastará cerca de dois bilhões com a Copa do Mundo para vermos os jogos pela televisão? Ou a marcha foi contra a corrupção dos políticos desonestos?

Pelas entrevistas dos organizadores pareceu-me ser contra esses políticos. Não acredito muito nessas manifestações sem nome, tais como “Vamos salvar o planeta” ou “Vamos salvar a floresta amazônica”, sem considerar as peculiaridades daquela região. No caso da marcha dos corruptos ideal seria nominá-los e fazer a manifestação contra cada um individualmente. Mensalmente eleger-se-iam alguns corruptos. A manifestação teria rostos e nomes. Seria mais impactante do que “Todos contra a corrupção”.

Além de nominar os políticos corruptos, outra sugestão seria uma manifestação com os nomes dos ministros relatores dos processos dos corruptos. A impunidade é um dos fatores que mais contribuem para a corrupção. Se as manifestações começarem a constranger os ministros do STF, acredito que os processos sairão das gavetas.

Enquanto estivermos marchando contra a corrupção generalizada o efeito virá, mas levará muito tempo. Político não teme manifestações generalizadas. Ele treme se vir seu nome estampado no país inteiro. Treme ele e todos os outros.

Cada manifestação teria três nomes e um calendário anual dos próximos nomes. O que mais incomoda o político corrupto é ver suas estripulias na boca do povo. Não tem tamanho o sofrimento do corrupto se em janeiro souber que em novembro seu nome será estampado nos jornais e televisão do Brasil inteiro. É sofrimento o ano todo.

Político não teme o Poder Judiciário, teme o poder das ruas. É do povo que depende o emprego e o poder dele.

Os organizadores da Marcha Contra a Corrupção lamentaram da participação de apenas trinta mil pessoas enquanto quase três milhões de homossexuais caminharam pelas suas de São Paulo defendendo seus direitos. Na manifestação em Brasília nem nossos políticos honestos compareceram.

Por que a passeata gay foi bem sucedida? Porque gay tem nome e eles mesmos foram às ruas. Por que a manifestação contra os corruptos foi um ‘fracasso’? Porque não foram dados nomes aos corruptos e também porque eles não compareceram.