Não faz muito tempo comparávamos a educação do Brasil com a de outros países como Japão e Estados Unidos. Hoje a comparamos com a educação japonesa, americana, alemã, coreana e suíça. Neste texto pretendo nos comparar com nós mesmos.

Em 2011 subimos ao podium de sexta economia mundial. Desde então o Brasil tem mostrado oportunidades em áreas como engenharias, indústrias químicas e petrolíferas e tecnologia da informação.
Para permanecermos nesse cenário de prosperidade são imprescindíveis investimentos robustos para que nossa educação se aproxime da dos países desenvolvidos. Não avançaremos economicamente enquanto apenas 46% dos jovens entre 15 e 24 anos frequentam a escola; se apenas 30% dos jovens de 18 a 24 anos completam o ensino médio; se apenas 13% dos nossos jovens entre 18 a 24 anos frequentaram curso superior em 2010. Essa realidade nos obrigará descer do podium.
Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/IBGE, o Brasil tem cerca de 14,1 milhões de analfabetos entre a população acima de 15 anos. Se alfabetizados e qualificados profissionalmente, poderiam consumir mais, gerando mais empregos nas indústrias; frequentar cinemas e teatros, comprar revistas, gerando mais empregos no campo cultural; poderiam viajar mais, incrementando o mercado do turismo.
A Confederação Nacional da Indústria revelou que a falta de força de trabalho qualificada afeta 69% das empresas. “Para mais da metade (52%) das empresas do setor industrial consultadas, a má qualidade da educação básica é uma das principais dificuldades.”
Desde longa data percebemos empenho tímido dos nossos governantes e da sociedade organizada por uma educação de qualidade. Talvez por isso os projetos e investimentos em educação do século passado não tenham sido muito diferentes em 2012. Para a UNESCO o Brasil está em 88º lugar entre 127 países. “Esse resultado coloca o país entre os de nível "médio" de desenvolvimento educacional”.
No Brasil os professores da educação básica ganham “pouco mais de US$ 9.000 anuais (considerando o 13º salário). Nos países da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico a média salarial anual dos professores em início de carreira é de US$ 27.541 e em países como Áustria, Bélgica, Alemanha, Coreia e Suíça os salários na educação básica podem ultrapassar US$ 60.000 por ano.”
Como podemos comemorar o crescimento econômico se o Brasil ainda rasteja no ranking educacional?
Outro fator inerente a falta de educação é a segurança pública. Dados do Ministério da Justiça mostram que a violência urbana está sendo comandada por homens de 18 a 34 anos (81,81% do total de presos), com baixíssima escolaridade (91,05% possuem até o ensino médio incompleto). Antes de prosseguir esclareço que não estou defendendo abrandamento de penas ou qualquer benesse para estes presos. Prendo-me ao fato de mais de 90% desses presos não terem concluído o ensino médio. Esses números deixam claro que sem educação de qualidade e sem oportunidades de trabalho, o jovem, sem saída, é arregimentado pelo crime. Nossa única opção é investir em educação.
Entendemos que a qualidade da nossa educação passa por políticas que exigem pesados investimentos financeiros, compromisso dos governantes em aplicar esses recursos e da sociedade em fiscalizar e exigir mais compromisso da classe política.
Estudo apresentado em outubro de 2012 pela revista Exame apontou que um “trabalhador brasileiro gera perto de 22 mil dólares por ano de riqueza, enquanto que um trabalhador estadunidense gera cerca de 100 mil dólares. Seriam necessários 5 brasileiros para gerar a mesma riqueza que um estadunidense e 4 para gerar o mesmo que um alemão”.
As novas exigências do mercado de trabalho exigem mudarmos o rumo da educação básica. O Brasil tornou-se o eldorado para trabalhadores de países afetados pela crise econômica de 2008. A imprensa notícia a migração de estrangeiros dos países em crise. Cabe-nos oferecer urgentemente uma educação de qualidade aos nossos jovens para que eles possam competir com iguais condições no mercado de trabalho, já que os concorrentes são oriundos de países que não mediram esforços em qualificar sua população.
Sobram vagas no mercado de trabalho e jovens carecendo de educação de qualidade. Alfabetizamos nossos adultos ou os empurramos para subempregos. Qualificamos nossos trabalhadores ou nos contentamos com o apagão da força de trabalho. Educação ou subprodutividade: qual a nossa escolha?