Neste mês de abril o Senado Federal fez uma Sessão Especial para lembrar os 70 anos da insurreição do Gueto de Varsóvia, "o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polônia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial"¹, em que morreram 13 mil judeus pelas mãos da polícia nazista de Adolf Hitler.

Os judeus morreram porque havia uma política de estado que cultivaria a raça ariana e eliminaria as demais. Felizmente o estado brasileiro estabelece e incentiva a convivência pacífica entre diferentes etnias, raças, credos religiosos e opções sexuais. O governo de Adolf Hitler, eleito democraticamente, não permitia a democracia da convivência.
Após a derrota da Alemanha, o então presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, foi visitar os campos de concentração. Ao ver os milhares de corpos e esqueletos empilhados ele pediu aos fotógrafos: "registrem tudo porque um dia alguém poderá dizer que isso nunca aconteceu".
A ação dos nossos bandidos está fartamente registrada pelos fotógrafos amadores ou profissionais, câmeras de segurança, celulares e pelas televisões. Se reuníssemos essas imagens e mostrássemos a um judeu da Alemanha de 1945, ele certamente diria que o holocausto ganhou as ruas. E completaria: "vou morrer assassinado covardemente, esteja aqui ou no Brasil".
Nossa violência nos aproxima do holocausto porque aquelas atrocidades arrepiaram o mundo tal qual nos arrepiamos quando a televisão mostra a ação dos assassinos covardes executando a sangue frio ou atropelando nossas crianças, jovens e mulheres.
Outro ponto em comum foi a impotência do mundo para barrar Hitler. No Brasil estamos impotentes contra os assassinos. Há tempos a farda da polícia não os amedronta.
Os criminosos do Holocausto tinham certeza da impunidade. Os do Brasil, também certos da impunidade, matam criança ou adulto, homem ou mulher, jovem ou idoso. No Holocausto era o Estado forte que matava o cidadão. Aqui é cidadão contra cidadão e o Estado fraco sem forças para impedir as covardias.
Se pudéssemos ouvir as vítimas do holocausto, elas diriam das suas certezas da impunidade dos seus algozes. Contrariando suas expectativas, aqueles assassinos foram condenados. Outros mais covardes fugiram e até hoje não sabemos o seu fim, tal como o próprio Hitler. Nossos bandidos armados à luz dia e os motoristas irresponsáveis conhecem a frouxidão das leis e das autoridades públicas para punir rigorosamente a ousadia deles (bandidos).
Descontadas as proporções, estamos num campo de concentração a céu aberto. O arame farpado foi substituído pelas câmeras de segurança nos centros comerciais e nas ruas; instalamos vidros blindados e películas escuras nos carros e cercas elétricas nos muros... Ainda assim continuamos amedrontados.
Entre 1980 e 2010 o Brasil teve 1,09 milhão de homicídios que vitimaram pessoas nas ruas quando iam trabalhar, estudar ou se divertir. No trânsito "a taxa brasileira de mortes por 100 mil veículos é 4,9 vezes maior que a europeia! E o trânsito brasileiro mata 24% mais pessoas em número absoluto que a União Europeia, mesmo possuindo uma frota 4 vezes menor."² O "Brasil tem 43 mil vítimas de acidentes de trânsito por ano"³... Este é o nosso holocausto.

Referências extraídas da internet
¹http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111214_mapaviolencia_pai.shtml
²http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/2013/03/mortes-no-transito-europa-diminui-5-ao-ano-brasil-cresce-4/
³http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/09/numero-de-vitimas-de-acidentes-com-motos-aumenta-14-em-cinco-anos.html
texto elaborado em abril de 2013