Crônicas 2013

As torcidas nos estádios e a violência gratuita

No distante ano de 1999, quando o Gama representava a elite do futebol brasiliense, aconteceu um jogo que mexeu com a cidade. Flamengo e Gama se enfrentaram numa tarde de sol aberto no estádio Mané Garrincha. Eu e meu amigo Osmar fomos torcer pelo Gama e assistimos muitas brigas entre as torcidas.
Ficamos muito chocados com uma agressão a nossa frente. O jogo corria. Um rapaz com mochila nas costas caminhava entre as cadeiras. Ele não usava uniforme de quaisquer dos times. Quando ele passava perto de mim alguém gritou que a alça da mochila dele tinha uma lista vermelha. Era uma lista pequena que fazia parte do desenho da mochila. Alguém gritou: - Ele tem uma lista na mochila. Ele é flamenguista.
Uma multidão de covardes atacou o rapaz e o espancaram sem dó nem piedade. Só pararam quando a polícia pulou em cima dos covardes e não pouparam nos cassetetes. Aplaudimos uma policial enérgica com seus golpes certeiros salvarem o rapaz ensanguentado. Os agressores agiram como se o rapaz não tivesse a mesma idade e sonhos que eles; como se o rapaz trouxesse consigo um mal (lista vermelha) que acabaria com a humanidade.
Tempos depois fui com meu filho ao Maracanã assistir Vasco e Flamengo. Naquele dia o Vasco saiu-se vencedor. À saída do estádio as torcidas se enfrentaram, a polícia enfrentou os valentões e nós torcedores pacíficos ficamos vulneráveis no meio de uma guerra urbana.
Hoje, julho de 2013, voltei ao Mané Garrincha para assistir ao clássico Flamengo e Vasco da Gama. Era outro passeio familiar com filhas, genros, sobrinhos e sobrinhas.
Não vou relatar os casos de violência porque tiraria o propósito do texto. Mas se engalfinharam vascaínos x vascaínos e flamenguistas x vascaínos. Bombas de gás lacrimogêneo, cavalos e cassetetes tiveram muito trabalho. Foram muito úteis.
Desde o Flamengo e Gama já se passaram 14 anos e não encontro resposta para algumas perguntas as quais deixo para meus queridos leitores e leitoras. Mas uma eu gostaria de registrar: Por que nossas autoridades ainda não tomaram providências sérias para acabar com essa violência gratuita?

Image