O jogador baiano Daniel Alves foi alvo de racismo do mais baixo grau. Existe racismo de alto grau? No jogo do Barcelona contra o Villarreal, um torcedor do Villa jogou uma banana no campo, sugerindo que Daniel seria um macaco. Num gesto inteligente, ele descascou e comeu a banana ali mesmo diante do seu agressor. Dias antes, no jogo entre Cruzeiro e o Real Garcilaso, no Peru, o jogador Tinga viu e ouviu vários torcedores fazendo gestos e urros imitando macacos. A crítica brasileira sobre os peruanos foi que eles não são muito diferentes de nós brasileiros. Não são brancos nem mais ricos... São até mais feios, pensaram alguns.
Ano passado, no jogo entre Vasco e Atlético Paranaense, vários torcedores se enfrentarem tal quais animais selvagens numa luta entre espécies, só que bandos diferentes.
As atitudes racistas, tal qual um vulcão, estavam adormecidas mas agora explodiram e enegreceram nossos dias.
Não é só nos estádios que estamos cercados de bandos diferentes, embora da nossa espécie. Vejamos: os políticos ladrões não nos jogam bananas todos os dias? A Justiça também não nos joga bananas quando demora vinte anos para julgar um político? Os nossos garotos menores de idade não nos jogam bananas quando nos assaltam, estupram, assassinam covardemente, e saem assoviando em plena luz do dia? O que dizer dos motoristas que tentam ganhar a dianteira nos engarrafamentos, sem se importarem com quem chegou primeiro na fila? Há poucos dias uma senhora estrangeira em Brasília discriminou uma manicure num salão de beleza... Foi notícia por dias. Vamos ficar apenas com estes exemplos mais recentes.
Qual a diferença da agressividade entre esses casos e o ato de jogar uma banana no campo? É agressividade. Agressividade não se discute, se pune.
Essa agressão pode estar camuflada no olhar, no aperto de mão frouxa ou numa palavra muito conhecida: mulato. Os nossos pretinhos, como eu, nos orgulhamos de sermos considerados mulatos em vez de pretos. Há poucos dias aprendi que mulato, significa ‘filho de mula’, resultado do cruzamento do cavalo com a égua ou do jumento com a égua. Ou seja, sempre me chamaram de “filho d’uma égua” e saí rindo e feliz.
A receita para dar fim ao racismo passa pela punição dos culpados, mostrando a eles que entre os humanos não devem existir raças superiores; Coloquemo-los numa quitanda para vender bananas onde verão muitos, independentemente da cor, comprando e saboreando bananas. Verão também que é mais fácil vermos um ‘filho d’uma égua’ do que um macaco saboreando uma bela banana.