Crônicas 2015

Tráfico de drogas e pedofilia

O Brasil ficou perplexo com a execução do brasileiro Marcos Archer, na Indonésia, por tentar traficar cocaína para aquele país. Nas conversas com pessoas próximas não ouvi nenhuma palavra ou gesto de apoio ao Marcos, cabelos grisalhos, de 52 anos. A sensação no ar foi que ele mereceu a pena capital.
- Aqui no Rio todo dia um pai de família ou uma criança inocente morrem em razão do tráfico. Agora morreu um traficante e vem a Presidente Dilma pedir clemência para o sujeito. Aff, tenha santa paciência! – Exclamou uma colega indignada.
- Todo mundo comovido com esse traficante. Ainda bem que ele morreu porque senão iria destruir centenas de famílias com a droga que levou; Sem contar as famílias que a cocaína dele destruiu aqui no Rio. – Desabafou o taxista a caminho do aeroporto.
No Senado Federal existe uma sugestão de lei (SUG 11/2014) tentando regularizar o uso da maconha. A Comissão de Direitos Humanos, onde o projeto está em discussão, realizou várias audiências públicas com diversos setores da sociedade. Vieram médicos neurologistas, representantes da ONU, psicólogos, juízes, professores universitários, psiquiatras, policiais, autoridades e estudiosos estrangeiros e familiares de maconheiros. Assistir a quase todas essas audiências e não ouvi ninguém... Repito, ninguém, aconselhando a liberação do uso da maconha, exceto para fins medicinais sob a vigilância do governo. Ninguém - nem aquelas famílias, contou uma história sequer de sucesso que tenha acontecido porque o indivíduo passou a usar o bagulho.
A plateia de maconheiros e simpatizantes tentou armar um fuzuê quando um dos palestrantes disse que ao descer do avião na China viu uma placa que dizia mais ou menos assim: “Quem traficar drogas é condenado a pena de morte”.
- Calma gente, só estou repetindo o que li. Se vocês pegarem um avião agora e descer lá, verão que a placa fica à esquerda da entrada... Não estou defendendo a pena de morte... Só quero registrar que nenhum país do mundo libera o consumo de drogas. – Disse mais ou menos assim, com segurança e firmeza, enfatizando o ‘nenhum’.
Segundo Estudo Global de Homicídios de 2011, do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o Brasil foi campeão com 43.909 pessoas assassinadas. Índia foi a vice-campeã.
- 100 a 150 pessoas são assassinadas por dia no Brasil... Estamos todos no corredor da morte. Nunca vi a Presidente se indignar com os assassinos. – Disse um indignado amigo em Brasília enquanto me dava uma carona.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2014 ficamos em 4º lugar em mortes no trânsito. Morreram 43.689 pessoas. Podemos ser envolvidos num acidente de trânsito provocado por um motorista embriagado ou sem habilitação. Se sobrevivermos, veremos o sujeito sair assoviando impunemente. Essa impunidade é uma droga!
A conta que não fecha. A produção de bebidas alcoólicas (drogas lícitas) contribui com 2% do PIB brasileiro. Os ‘gastos anuais diretos e indiretos em decorrência de problemas relacionados ao álcool’ equivalem a 7,3% do PIB.
Somos todos vítimas da corrupção e da droga da impunidade dos políticos corruptos. Sempre subimos ao podium em números de assassinatos, acidentes de trânsito e impunidade, só falta a cerimônia de premiação.
Suzana finalizou:
- Uma menina de seis anos não pode ser vista como mulher. Dois casos merecem pena de morte: tráfico de drogas e pedofilia.

Image