Nestes dias o Brasil vive um momento de despreparo para lidar com situações que, ao olhar de qualquer leigo, parecem de fácil resolução. E são! Uma delas é a rebelião nos presídios de Manaus, Roraima e Natal. O caso potiguar é que queremos ressaltar.

Alguns bandidos presos, quebraram as grades da cadeia e se engalfinharam no terreiro. Feriram-se, mataram-se, degolaram e jogaram bola com as cabeças dos perdedores. Esses presos estão enjaulados porque a sociedade não os suportou. Essa matança mostrou que nem eles se toleram. Mas o ponto onde queremos chegar é na inocência ou falta de preparo das autoridades para lidar com a situação. Para acalmar os brigões o governo do estado empregou todo seu efetivo policial. Como não conteve os ânimos dos valentões, o governo federal acionou a Força Nacional e o Exército para arrefecer os rebeldes. Como a testosterona continuou em ascensão, a solução encontrada foi empilhar uns contêineres de navios para separar os brigões.
Ora, se esses homens, enjaulados entre paredes e grades, conseguiram sair para o campo de batalha, pode-se imaginar que uma pilha de contêineres irá detê-los? Qualquer gestor com um mínimo de conhecimento sabe que esta é a resolução mais inócua para resolver problema.
O outro ponto é a rebelião dos policiais no Espírito Santo. Sob o argumento chocho de que as mulheres desses policiais não os deixavam sair para as ruas eles ficaram jogando baralho dentro dos quartéis enquanto a população ficou à mercê da bandidagem.
Ninguém em sã consciência questiona a legitimidade de as esposas e mães lutarem por melhores salários e condições de trabalho para os maridos e filhos. Afinal, são elas quem administram as finanças da casa e sabem o quanto o soldo está curto. O que nos salta aos olhos é o governo retirar os policiais de helicóptero para irem trabalhar ao invés de tirar as mulheres das portas dos quartéis. Não sei quanto custa uma hora de helicóptero mas tenho quase certeza que se aproxima de um mês de trabalho de um policial. Qualquer gestor com um mínimo de conhecimento sabe que esta é a opção mais cara para resolver este problema.
Entre um entrevero e outro vimos na televisão a prisão do empresário Eike Batista. As câmeras mostraram o outrora moço bilionário e paparicado agora cabisbaixo e solitário a caminho da prisão. Ele sabia que tinha pecados a acertar com a Justiça e que iria perder a liberdade. Só não sabia que perderia a peruca, que aliás foi motivo de sátira em várias mídias sociais. Foi mostrado por inteiro com sua careca desnuda, trajando uniforme de presidiário e calçando um par de sandálias baratas.
Pois bem, há pouco tempo fui visitar um amigo na penitenciária. Após a revista constrangedora e ouvir uma grosseria desnecessária, o agente deu-me um par de sandálias para entrar no pátio. A moça que estava comigo também recebeu as suas e comentou que as sandálias eram ‘lisas e escorregadias’. Respondi que era para ‘dificultar a fuga’ e para prevenir qualquer movimento de rebelião ou coisa parecida, embora fôssemos visitantes e inocentes. No caso do Eike ele as usava sabendo que aquelas eram as sandálias do pecador.