Nesta semana comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Inicio esta reflexão com os heróis da ficção. 

Observemos que o Super-Homem enlaça sua namorada pela cintura e voam para sobre as nuvens. Lá no alto vivem um momento de clímax, olhos nos olhos, mão na mão e palavras amáveis. É um momento mágico do herói com quem ele ama. Quando Jane está em perigo o Tarzan a agarra pela cintura, agarra-se num cipó e todos agarradinhos voam de uma árvore a outra. A mesma coisa faz o Homem Aranha. Num certo momento de perigo ele gruda a teia num edifício, e sem titubear agarra a namorada pela cintura e ela, encantada, embora morrendo de medo de altura, segue grudadinha e confiante nele. Em êxtase, a plateia os veem pousarem com suas amadas em local seguro e tranquilo. Naquele momento mágico todos nós homens gostaríamos de ter aqueles superpoderes para enlaçar, proteger e encantar nossas amadas.
Dentre os debates sobre o Dia das Mulheres o que mais me chama a atenção é a violência física que independe da classe social, como mostra Dalva Moura no seu livro ‘Os ricos também batem’.
O jornal Correio Braziliense de 04 de março de 2017 noticiou que em 2016 ocorreram 666 estupros em Brasília. Tanto os agressores no livro quanto os estupradores da rua são homens que tiveram a oportunidade de mostrar sua coragem e seu heroísmo, mas optaram pela covardia. Enquanto suas vítimas esperavam atitudes heroicas eles preferiram a vilania. A qualquer momento podemos ser chamados a mostrar nosso heroísmo, infelizmente alguns optam pela violência que pode ter várias faces.
Com um olhar mais atento percebemos que os heróis da ficção, antes do Chamado, são pessoas comuns levando uma vida normal igual a todos os mortais. Durante os conflitos vemos que eles não resolvem tudo sozinhos, sempre precisam de ajuda, quer seja de uma pessoa ou de um ser iluminado. Estando no limite de suas forças, com a derrota iminente, reinventam-se e vencem o inimigo. Quantas vezes somos heróis ao vencermos o vizinho idiota ou o sujeito que não nos respeitou na faixa de pedestre? Nós, mortais, quando percebemos que seremos derrotados temos que tomar uma decisão e vencer o inimigo. Como? Mudando de atitude, reposicionando-nos perante a vida... Mudando de endereço, mudando de emprego ou de religião.... Mudar para melhor é coisa de herói.
Nada mais heroico do que pegarmos nossa mulher pela cintura e protege-la em local seguro e tranquilo. Afinal, é ela quem irá nos estender a mão quando estivermos em apuros. Aposto um doce como as mulheres que neste momento estão próximas a nós esperam que sejamos heróis, não esperam a covardia... ao contrário, gostariam de sentir-se enlaçadas, protegidas e encantadas.