Crônicas 2017

A escola não ensina violência

 

Há poucos dias, motivado por cenas animalescas de alunos agredindo professores em sala de aula, o Senado Federal realizou uma audiência pública para debater as causas da violência na escola.

Antes de entrar na audiência, quero refletir com você a etimologia da palavra educação. Educação vem do latim educareeducere, que significa conduzir ou direcionar para fora. O termo é composto pela união do prefixo ex (fora) e ducere (conduzir). Ou seja, educar alguém é conduzi-la para fora de si; é conduzi-la do seu estado animal irracional para o animal racional; é sobrepor o ser racional ao irracional. É educa-la para sair do seu mundo familiar para entrar na sociedade; é tirar de dentro da pessoa o que ela tem de melhor... e mostrar isso ao mundo.

Como o Brasil está perplexo com a violência escolar mostrada nos últimos dias, é urgente conversamos sobre isso.

O que nossos alunos levam para a escola é a violência e descortesia que mostramos a eles diariamente. Não estamos dando a eles o melhor da nossa educação, o melhor de nós.

Não existe nenhuma escola neste país que pregue a violência, que tenha como bandeira a violência, seja física, verbal ou de comportamento. A descortesia praticada diariamente por nós é uma violência que entendemos ser de menor potencial e inofensiva, por isso a toleramos.

Quando o aluno chega à escola, traz consigo toda violência que vivenciou a caminho da escola. Já chega violento cheio de informações distorcidas; chega descortês, intolerante, porque foi isso que passamos a ele seja na família, na rua, na televisão ou na internet.

Vamos a alguns exemplos. Não é uma violência nossos governantes flagrados surrupiando dinheiro público? Não é igualmente mal exemplo à nossa juventude uma mulher ser espancada ou assassinada pelo parceiro (o homem que deveria protege-la) a cada quatro horas? O que dizer das descortesias no trânsito quando motoristas, motociclistas ciclistas e pedestres brigam entre si? Existe descortesia maior do que falarmos com alguém que não desgruda do celular? O quer dizer do comportamento das torcidas organizadas nos estádios de futebol?

Estes poucos exemplos são apenas para aguçar nossa curiosidade de discutirmos e combatermos as diversas causas da violência escolar.

Não existe escola onde o aluno chegue pacífico e saia violento. Na escola não se aprende ser violento ou descortês. Só que a escola tem pouco tempo para lapidar a alma humana. É um tempo ínfimo se comparado com as muitas horas que o jovem fica exposto à avalanche de desconstruções sobre paz, cortesia e gentileza.

Precisamos educar a sociedade para educarmos nossos alunos. Desejar o contrário é injustiça com a escola e perversidade com os jovens. Não devemos esperar que só a escola faça isso, ela não tem condições sozinha.

Nenhuma criança chega pacífica e sai violenta da escola. A grande lição daquela reunião é “que a escola não ensina violência.”

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