Há poucos dias a televisão mostrou um homem armado com dois pedaços de paus tentando proteger o Brasil de um sírio que vendia esfihas na calçada da praia de Copacabana no Rio de Janeiro. O carioca gritava que o sírio seria um homem-bomba e não deveria ficar no Brasil, deveria ir embora.

- Saia do meu país... Vamos expulsar ele.

O carioca patriota jogou no chão as mercadorias do sírio Mohamed Ali que, humilhado e desorientado, tentava salvar suas mercadorias e dizia que não era homem-bomba. Numa rede social ele publicou:

 “Eu , Mohamed sou este rapaz que foi humilhado. Estou aqui vai fazer três anos... Todos os meus amigos estão trabalhando. Estamos trabalhando arduamente... Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá lutando como eles fazem. Tenho muitas esperanças no Brasil! Moro no Brasil e aqui já é minha pátria.”

Acredito que o carioca anda vendo muita televisão e se esquecendo da realidade que o cerca. Ter medo de um estrangeiro é estar muito desinformado para quem vive no Brasil, principalmente, no Rio de Janeiro que é uma cidade visitada por turistas de todas as nações. O Rio não é só do Brasil, é do mundo. O que o governo do Rio de Janeiro gastou para atrair turistas com a Copa do Mundo e as Olimpíadas um maluco desfez em dois minutos com dois porretes nas mãos.

Neste ano de 2017 os motoristas imprudentes matarão cerca de 50 mil pessoas nas ruas e estradas brasileiras e sairão impunes assoviando do local do acidente; além disso a violência urbana matará cerca 53 mil pessoas nas nossas ruas. Ao final de cinco anos teremos chorado a morte de 515 mil conterrâneos. Nos últimos cinco anos a guerra na Síria matou 500 mil pessoas... menos gente que no Brasil.

Segundo a revista Carta Capital “Matou-se mais no Brasil do que nas doze maiores zonas de guerra do mundo. Os dados são da Anistia Internacional no Brasil e levam em conta o período entre 2004 e 2007, quando 192 mil brasileiros foram mortos, contra 170 mil espalhados em países como Iraque, Sudão e Afeganistão.[1]

Não sei em quem esse moço carioca votou, mas se foi no ex-governador Sérgio Cabral ele não deve ter medo dos estragos que um estrangeiro possa nos causar. Cabral está preso por ter praticado 345 crimes de corrupção e surrupiado cerca de 224 milhões de reais dos cofres públicos. Como consequência desse desgoverno a Cidade Maravilhosa está vivendo um caos social. Sem dinheiro para comprar comida funcionários públicos estão vivendo dos favores de amigos e parentes além de enfrentarem a humilhante fila para ganhar uma cesta básica.

Estive lá há pouco tempo. As calçadas da cidade estão lotadas de pessoas deixadas ao relento pelo poder público. São comuns os arrastões nas praias para atacar turistas sírios, americanos, japoneses, brasileiros e quem mais estiver na frente.

Até julho de 2017 haviam sido mortos 90 policiais militares em confronto com bandidos nas ruas do Rio. Esses bandidos não seriam os ‘homens-bombas’ cariocas? Cabral, seu bando e os marginais adolescentes não seriam mais perigosos que as bombas na cintura de qualquer sírio?

Há poucos dias o time francês Paris Saint-German pagou 823 milhões de reais para ter o jogador Neymar em seu elenco. Na semana anterior os órgãos de pesquisa divulgaram que o presidente Michel Temer tinha o governo aprovado por apenas 5% da população. Naquela semana, para arquivar a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República e evitar ser cassado pela Câmara dos Deputados, o presidente Temer liberou cerca de 4,1 bilhões de reais para comprar o voto de alguns deputados frouxos.

Quem é mais perigoso para o Brasil um presidente da república sem o apoio nem mesmo dos seus aliados, um bando de deputados sem ideologias políticas se vendendo por uns trocados ou um sírio refugiado?

Meu caro carioca o seu voto protege mais o Brasil do que esses dois sarrafos em suas mãos. Você se sente mais protegido ao lado de um sírio ou de um deputado brasileiro?