Não vou perder a linha por conta daquele locutor de rádio que não se atualiza, portanto, não conhece a realidade do serviço público do século XXI. Fica nos chamando de vagabundo... todos os dias me chama de vagabundo. Estou cansado desse cara!

Não irei me aborrecer mais com aquele deputado que está ruim nas pesquisas, não tem uma causa de fôlego para ajudar o país e quer alavancar sua fracassada carreira em cima do servidor público, dizendo que somos culpados pela crise econômica do Brasil.

Nas próximas eleições não votarei no partido do atual governo federal que não tem um plano de governo sólido e conta com apenas 5% da credibilidade da sociedade. Como num toque mágico o governo acabou de descobrir que a solução para a crise econômica é arrochar os salários, a previdência e outras garantias dos servidores públicos. Nenhuma palavra ele disse sobre os grandes devedores da Previdência Social cuja dívida chega aos 426 bilhões de reais.

Esse governo esquece que os males do Brasil começaram no dia em que os partidos que o apoiam resolveram indicar para a Administração Pública seus pupilos sem preparo técnico, com a intenção máxima de amealhar para si e seus membros as riquezas produzidas pelos brasileiros... Ou não é isso que o Mensalão e a Lava Jato descobriram?

Servidor público não tem grandes fortunas, não sonega impostos. Difere do funcionário privado porque aquele não lucra com a venda do produto. Ele vende seu produto, que é o servir ao público, sem pedir ou negociar preços por esse serviço. Não há, assim como na rede privada, uma concorrência entre os servidores públicos.

Quando qualquer cidadão se sente ameaçado chama o policial, que é funcionário público; se está doente, pede socorro ao médico, funcionário público; os controladores de voo, que cuidam da nossa segurança nas alturas, são funcionários públicos. O nosso primeiro astronauta foi um funcionário público.

Os juízes, os policiais federais e procuradores que estão combatendo a corrupção na Operação Lava Jato, são servidores públicos. Eles não prenderiam esses políticos famosos e influentes se não tivessem a seu favor a estabilidade e outras garantias inerentes ao servidor público.

Se o Brasil entrar em guerra hoje quem vai para a frente da batalha são heroicos militares, funcionários públicos. Não serão os civis. Nós travaremos outra guerra. Iremos produzir mais para suprir as necessidades impostas pela guerra; ficaremos protegendo as famílias desses militares, torcendo para que todos voltem inteiros para casa ou choraremos quando a morte for mais forte. Neste momento seremos todos heróis.

No livro ‘A República’, Platão descreve seu Estado ideal. Cada cidadão desse Estado, deveria assumir as funções para as quais tem mais habilidade e teria dedicação exclusiva nessa tarefa. Por exemplo, o agricultor não poderia fazer música ou poesia porque faltaria tempo para ele plantar o suficiente para alimentar a sociedade; o sapateiro não poderia cuidar da agricultura e fazer música ou poesia senão faltariam sapatos para a sociedade. Os agricultores e poetas não poderiam ir à guerra porque não se dedicaram à ginástica nem às táticas de batalhas. Ou seja, cada qual, conforme sua destreza, dá o seu melhor em favor da sociedade. Por Platão, juro que não vou perder a linha.