Nesses últimos dias a imprensa tem noticiado os feminicídios covardes, que são os assassinatos de mulheres pelos seus companheiros.

A Lei Maria da Penha é a lei mais famosa para coibir esse tipo de crime. Contudo, além das formas tradicionais de assassinato, nosso Código Penal inovou e prevê pena ainda mais gravosa quando homens matam suas companheiras em detrimento de sua condição de mulher. Precisamos de leis mais duras ou de mais educação para os machos entenderem o que significa viver em companhia de uma mulher?

Creio que precisamos educar o nosso homem, não o homem com H maiúsculo, mas o ser, o indivíduo – esse sujeito que é ao mesmo tempo indivisível e dois.

Será que não precisamos discutir o papel desse homem no seio familiar? Como a sociedade está educando este homem? O que os políticos, a mídia, as escolas, as universidades e as igrejas estão passando para homens jovens? Com suas sentenças, qual o recado que o Judiciário está dando aos nossos homens? O que as propagandas e as novelas estão dizendo em suas mensagens subliminares?

Parece que a Lei Maria da Penha e todo o nosso Código Penal não inibiram os assassinos, e tampouco estão protegendo nossas mulheres.

Não vemos no momento uma liderança trazendo a público esta discussão sobre a educação dos nossos meninos para convivência com uma mulher. Não podemos admitir que o ‘eu te amo’ venha acompanhado de um tapa, um empurrão prédio abaixo ou um tiro.

Há pouco tempo estive numa palestra-show da poeta e atriz Elisa Lucinda. Questionada sobre a violência contra a mulher ela foi enfática e disse mais ou menos assim:

- Os homens que matam nossas filhas e sobrinhas são aqueles que hoje dormem na cama dos pais; são aqueles que, sob a proteção da mãe, mandam o pai da cama para o sofá, e fica dormindo com a mãe. São esses mimados que nunca ouviram ‘não’ de uma mulher que, ao primeiro ‘não’ da namorada, matam-na.

Não nos enganemos que a violência doméstica acontece apenas na classe mais baixa. A colega Dalva Moura, em seu livro ‘Os ricos também batem’, mostra que essa covardia não tem classe social.

Para trazer à tona uma comparação, voltemos ao ano 300 a.C. Naquele tempo o filósofo grego Platão relata naturalmente os vários casos em que a mulher não passa de um objeto, assim como os escravos. Só que já se passaram mais de dois mil anos! Ao longo desse tempo evoluímos na tecnologia, aperfeiçoamos a democracia, mas parece que pouco avançamos no trato com as mulheres.

O jornal Correio Braziliense de 12/08/2018, traz uma reportagem sobre feminicídio mostrando que ‘Desde o início do ano, houve 19 feminicídios, a mesma quantidade de 2017 inteiro. Debater o efeito desse fenômeno com novas gerações evita que meninos e meninas cresçam e reproduzam a violência.’

A manchete da reportagem diz que “Metade das escolas públicas do Distrito Federal trabalha com os alunos temas que visam discutir a realidade dos crimes contra as mulheres. Meninas e meninos aprendem, entre outras coisas, a identificar o machismo e uma relação abusiva: Aula para evitar a violência.”

Colaboração Carlos Bruno