Com a chegada da Copa do Mundo, convido-os a escalarmos a nossa seleção, a convocarmos os onze craques da nossa vida. Seriam aquelas pessoas ou momentos que nos levariam à vitória. O jogo é duro... É impossível vencermos sozinhos.

Convoquemos alguns da família, do trabalho, vizinhos, amigos da pelada, do salão de beleza, da pescaria... Convoquemos somente quem realmente faz a diferença, aqueles capazes de encher nossa bola nos dias em que estivermos murchos.

Esses craques tiram as pedras, vão limpando o caminho e nos dão a mão quando caímos ou nos amparam quando tropeçamos. Como fazem isso? Oferecendo o ombro nos momentos difíceis, trazendo uma palavra acolhedora ou até ficando em silêncio.

Nesta seleção vamos escalar outros grandes aliados que igualmente nos fortalecem. A saúde, por motivos óbvios, sem ela nem ficaríamos de pé. O dia em que o amor da nossa vida disse sim; quando, pela primeira vez, nosso filho nos chamou de pai ou mãe. Nesses dias nenhum adversário nos venceria.

Não pode ficar de fora aquele gozo que nos deixou exaustos, sem forças, totalmente abatidos na cama... o maior campo de batalha do ser humano. Não esqueçamos de escolher o capitão dessa seleção. Seria esse gozo?

Certo dia a seleção brasileira jogou muito mal e perdeu feio para o outro país. Indignado, perguntei à Mércia Manfrini:

- Poxa, esses aí são os nossos melhores jogadores? Será que num país deste tamanho, com tanta gente, não tem ninguém melhor que esses caras? O que estão fazendo os outros homens? Por que não foram convocados?

Sabiamente, Mércia respondeu:

- Os outros homens estão ocupados com outras coisas. Estão na lavoura plantando ou colhendo. Outros, construindo estradas e carros; outros, cuidando do nosso lado espiritual, da nossa alma. Todos estão dando o melhor de si e não têm tempo para se dedicar à bola... Esses aí em campo são o melhor que temos! Se estamos perdendo é porque o outro time está fazendo melhor que nós. O problema não são os adversários, somos nós.

Uma pergunta deve ser feita: estamos fazendo o melhor de nós? Ou só estamos ‘fazendo de conta’? Porque quando só ‘fazemos de conta’ perdemos o primeiro jogo, o segundo, o terceiro... até sermos desclassificados do jogo da vida.

Desde pequenos ouvimos dos nossos mestres: - seja forte, prepare-se para a vida. Temos que ser craques porque os adversários não perdoam, e o maior deles está dentro de nós. O jogo é fácil quando o preparo é duro.

Não adianta culpar o governo, o trânsito, a sogra. Estes adversários são conhecidos com nome e endereço. E os adversários que moram no nosso interior? Estamos preparados para vencermos nosso egoísmo, a intolerância ou a indiferença?

A vitória é mais certa para os sábios. Vale a pena ter bom emprego, ganhar bem e ser infeliz na família? Adianta ser feliz na família e não ter alimentos na mesa nem diversão e arte para a alma? Responder sim a essas questões equivale a ganhar só o primeiro tempo. No segundo tempo, no fim do dia, no fim da vida, é que o jogo é definido.

Noutro dia escalaremos nossos adversários. Graças a eles nos tornamos fortes. Na competição tem que existir o adversário. Sem eles não existiriam desafios, competições, batalhas. Existiria apenas uma seleção em campo... sem adversários não existe jogo. Como escolher o vencedor se não houve competição?

Jogar presume-se ganhar ou perder, esse é o jogo da vida.