Crônicas

O Brasil que queremos

 

Convido você a comparar o Brasil a um organismo vivo. Pode ser ao corpo humano, que está mais perto da nossa compreensão.

Vamos imaginar que o cérebro do corpo Brasil esteja na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Porque dali saem as decisões dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para o perfeito funcionamento desse corpo Brasil. Estes, por sua vez, são os órgãos vitais. Nós, enquanto população, somos pequenas células que funcionam melhor quando os comandos dos órgãos superiores estão sadios e em harmonia. Qualquer ação dos órgãos estratégicos descarrega um movimento em cadeia ao longo de todo o corpo. Governo doente, sociedade enferma. Governo sadio, sociedade forte.

Os rios, riachos e estradas podemos imaginar que são as artérias e veias que levam nutrientes para todo o corpo. Se por essas vias escoarem nutrientes como justiça, bondade, ética, respeito ou tolerância, todas as células serão irrigadas com esses preceitos.

No corpo Brasil, assim como no nosso, existem as células nocivas, que adoecem alguns órgãos e atrapalham o bom funcionamento do conjunto. Se o incômodo é pequeno basta uma pequena dose de remédio para o corpo se recuperar. Senão, entramos com remédios mais fortes e muitas vezes amargos. Se a célula em questão continuar atrapalhando, fazemos uma cirurgia e a extirpamos.

Sendo o Brasil um corpo, sendo eu e você células que fazem este corpo funcionar, quero que este corpo esteja saudável com todas as células funcionando em harmonia. Dizem que temos dez trilhões de células microscópicas. Nossa saúde depende do funcionamento normal desses trilhões. Basta uma desandar para atrapalhar todo o organismo e adoecer o corpo inteiro. Dessa harmonia depende o bom funcionamento das células no nosso corpo, e do nosso Brasil.

Alguns órgãos do corpo Brasil como educação, comércio, indústrias, o turismo e a agricultura trazem dinheiro para esse corpo. Dinheiro é alimento saudável. Quanto mais robustos estiverem os órgãos do corpo Brasil mais saudável esse corpo estará. Tanto é assim que no final do ano especialistas analisam se este corpo está mais forte, mais fraco ou anêmico. Se vendeu mais do que comprou, está forte. Teve superávit na balança comercial. Somos assim também. No final de cada ano fazemos um balanço do ano findo e projetamos o ano vindouro.

Basta adoecer uma minúscula célula do coração que a célula ao lado se abaterá também. No caso do Brasil, colocamos essas células malignas nas penitenciárias, quando se trata de pessoas comuns. No caso dos políticos, os tiramos através de impeachment constitucional.

Assim como nosso corpo doente vai para o hospital em busca da cura, o mesmo acontece com o Brasil quando seus governantes agem como células malignas. Neste caso a cura está no Poder Judiciário ou no Legislativo.

Tomemos como exemplo o fígado ou os rins. Não mandamos as células deles trabalharem. Cada qual faz sua parte sem se importar se as outras estão trabalhando. Isso nos torna saudáveis, porque a menor célula trabalha em benefício do todo.

Então fica a sugestão para que sejamos células sadias para fazermos bem nosso papel junto aos amigos, família e no trabalho. Se cada um fizer sua parte - ainda que pareça pequena, com dedicação será de grande contribuição para o todo, para o Brasil.

Outra sugestão é para que nas próximas eleições analisemos o corpo Brasil e avaliemos quais células ajudaram e quais atrapalharam o desenvolvimento desse corpo. Vamos extirpar da vida política as células malignas, afinal nem você nem eu queremos um corpo fraco, débil, vacilante. Nem o nosso nem o Brasil.

 

 

 

 

Brasília, julho de 2020