Crônicas

O que alimenta a fotografia?

De tempos em tempos a História alimenta a humanidade com inventos extraordinários, personalidades com ideias que colocam o mundo aos seus pés e artes - que de tão belas entorpecem os admiradores, nesta reflexão ressalto a fotografia.

Do que se alimenta a fotografia? Desde 1839 a fotografia vem nutrindo-se de inovações tanto no campo técnico quanto na área criativa – a criatividade é o que sustenta qualquer arte.

Dando um salto para os dias atuais a fotografia tem-se alimentado da inteligência artificial nos telefones celulares, da criatividade exibida nos concursos, exposições e publicidades, sendo que neste ano de 2021 alimentouse principalmente da pandemia da Covid 19. Como o novo coronavírus colocou-nos em confinamento, 2021 foi um ano ruim para a selfie da roda de amigos e fotografias de viagens. Por outro lado, os fotógrafos foram estimulados a olhar para seus universos particulares e mostraram ao mundo que “nada substitui o talento”.

Mas a fotografia não se confinou. Arteira e destemida driblou o vírus e mostrou os desastres naturais mundo afora em belas e assustadoras imagens. Atrevida, enfrentou os fatos políticos que encheram os cartões das câmeras dos fotojornalistas. Esses artistas da luz mostraram-nos fotos que nos tiraram o fôlego. Essa sacudidela na alma é o que nos provoca a buscarmos novas emoções e novas possibilidades. Fosse a fotografia ausente de emoção ela não teria chegado aos nossos dias exigindo tanto empenho em tecnologia e criatividade artística.

Os desastres naturais, o rodízio dos poderosos, o florescer da vida repetir-se-ão enquanto houver vida na terra. Todos esses eventos serão exibidos ao mundo sempre que houver alguém empunhando uma câmera. A mensagem na fotografia jornalística tem despertado a humanidade para abraçar os gênios do bem e repudiar os maus. Cada vez que vemos a imagem de um destruidor indo para o cadafalso político é como se todos nós tirássemos o tamborete sob os pés dele. É pela ação nestas imagens que nos compadecemos das vítimas de enchentes, furacões, incêndios ou vibramos com as ações dos heróis anônimos salvando pessoas. A cada imagem de bombeiro ou enfermeira segurando a mão  de alguém em dificuldades é como se todos nós estivéssemos ali estendendo a mão.

O que que dá força à mensagem fotográfica é o ângulo, a luz, o puncto, o momento decisivo. É essa força intáctil que transforma cada imagem em arte e nos transforma.

A fotografia é tão astuta que quando ela nos deixa tristes com uma tragédia no mesmo instante pode revigorar nossos ânimos mostrando-nos o ‘sorriso’ de uma foca. Sinceramente, aí não tem quem não alivie a alma!

Assim como a pintura não se alimenta da tela nem a escultura do mármore, tampouco a fotografia se nutre dos fatos... O que alimenta a fotografia é o quanto ela sacode nossa alma!