Crônicas

Sábio ou Louco da Chapada dos Veadeiros?

Estou em São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, quando avistei na beira da pista um jovem senhor pedindo carona. Parei.

― Tá indo pra onde? Perguntei.

― Estou indo no mercado fazer umas comprinhas.

― Vamos, te levo lá. Respondi solícito.

Fizemos as apresentações e cumprimentos formais.

― Sou Marco Venerando porque venero a Deus, o sol, a chuva, a mata.

― Então me venere, sou o Rios. Demos uma gargalhada de mais de quilômetro.

― Venerando, me conta uma boa história, você é daqui?

― Cheguei aqui há vinte anos. Morava em São Paulo. Eu era que nem você. Vivia na coleira do patrão, ele afrouxa no fim de semana mas na segunda-feira puxa a coleira. Tinha emprego de dublador e ator, ganhava um bom dinheiro. Tinha esposa, casa boa, carro e um lindo cachorro. Meu sogro filmou as três Chapadas... Dos Veadeiros, dos Guimarães e Diamantina.

Quando vi o filme da Chapada dos Veadeiros eu pirei o cabeção. Chamei a mulher para vir morar aqui. Ela não quis. Só esperei sair a documentação da separação e estou aqui. Feliz da vida. De novo uma boa gargalhada.

Falou também da sua experiência nos combates aos incêndios florestais. Seus olhos marejaram quando lembrou das terras perdidas na justiça e da cadela Flor enterradas naquelas paragens.

Ele quebrou o breve silêncio.