Crônicas

Solidariedade em tempos de coronavírus

Nesses tempos de isolamento social para combater a pandemia do Coronavírus, a criatividade do brasileiro tem-se mostrado muito interessante nas redes sociais. A propósito, elas têm sido grande aliada contra a solidão. A cada instante chega uma piadinha ou um joguinho pelo whatsapp. Fazemos videochamadas para conversar com os familiares que não podemos encontrar, ainda que estejam por perto, na mesma cidade.

Quando essa pandemia passar, e irá passar, muita coisa terá mudado. Grandes empresas terão falido. Novos hábitos e profissões terão surgido. Novas lideranças políticas despontarão no horizonte enquanto outras estarão em frangalhos.

Já estou em isolamento há mais de vinte dias. Tenho acompanhado todas as notícias sobre a pandemia. Algumas notícias são de termos piedade da raça humana. Outras, no entanto, são cheias de amor e faz-nos acreditar na humanidade.

Dentre as lições que podemos tirar desses dias estranhos parece-me que estamos vivendo o Natal antecipado. São inúmeras as mensagens de colegas nas redes sociais pedindo donativos para ajudar alguma instituição, como abrigos de velhinhos, creches, pessoal dos circos, moradores de rua, ONGs que cuidam de animais entre outros. Pois com a determinação do isolamento social, a manutenção dessas instituições ficou um pouco comprometida.

Daqui do meu mundo, do meu pequeno universo, estou vendo a solidariedade aflorada. Tomara que esta ausência dos familiares e dos amigos demore mais tempo se uma das lições apreendidas seja ficarmos mais solidários, compreensíveis com a dor alheia, sermos mais humanos, que é a nossa natureza.

Creio estarmos tentando amenizar nossa dor olhando para o outro. Noutros dias normais os nossos problemas eram os maiores do mundo. Hoje, enfrentamos a mesma turbulência que exige uma ação solidária de cada um para podermos salvar o maior número de pessoas. Parece que entendemos que cada indivíduo é importante para compor o todo. A humanidade só existe com todos, sem faltar ninguém. Nem aquele chato do vizinho pode ficar para trás.

Agora, com essa pandemia, todo o dinheiro que poderíamos gastar não pode ser usado, porque os restaurantes, os cinemas, os teatros, as livrarias, os cabarés, os shoppings estão fechados. Milhões de brasileiros estão confinados em casa, com seus carros de tanques cheios de gasolina na garagem, sem poder sair para trabalhar, passear, visitar os familiares. Hotéis com quartos vazios sem poder receber hóspedes, aviões sem levantar voo por falta de passageiros.

Minha casa fica na rota dos aviões. Desde o início da quarentena os aviões cessaram de voar. Hoje passou apenas um avião, foi até emocionante ouvi-lo.

Dá uma tristeza ter asas e não poder voar.

Ter dinheiro e não poder gastar.

Ter carro e não poder viajar...

Dá uma alegria ter saúde.

Ter família e amigos para conversar.

Alívio saber que vamos nos reencontrar...

 

Colaboração Márcia Regina